domingo, 28 de junho de 2009

A felicidade

A felicidade, julgo, é algo que se contrói. Muitíssimo devagar. E com cautela. Porque o que me tornava feliz aos vinte anos tem muito pouco a ver com aquilo que, hoje, me satisfaz. E, possivelmente, será diferente do que amanhã me tornará venturosa.
Algo, contudo, se mantém na minha existência. É a vontade de tocar a felicidade. Julgo que ela jamais me abandonou. De cada mágoa fiz sempre um exercício de ultrapassagem. E foram várias, as vitórias que consegui.
Chegada a uma fase em que muitos esperam pelo fim, eu ainda sonho com o que me falta fazer. Por idiotice? Não. Por pura convição de que essa é a minha única forma de viver.
Por isso me espanto com amigos que, na escala dos sessenta, se demitem de lutar por aquilo que, acreditam, os tornará mais afortunados. Porque "já" não vale a pena. Como se a vida tivesse chegado ao fim, mesmo antes de ter terminado!
Não serei uma mulher feliz. Mas sou, seguramente, uma felizarda que, a prestações, soube sempre o que era a felicidade e se recusou a dela abdicar!

H.S.C

6 comentários:

Pedro Lopes disse...

felicidade


a felicidade espreita-me
pisca-me o olho
feita gaiata
feita pirata
é ela que acossa
aborda ataca
deixo-me ir
a ver a catraia
não digo nada
sorrio por dentro
e não dou sinal
sem saber
que afinal
digo tudo
o que não digo
deixo-me ver
e nisso
já participo
já sou navio
equipagem
sou um assalto
ao eu que sigo
sou o meu vento
o meu Norte
a minha rota
um mar chão
o rumo traçado
por dentro a esquadro
no espaço do tempo
no tempo que abraço
vou por aí
sou marinheiro
de mim
esse de mim
marinheiro assim

Pedro

Ka disse...

Quando me perguntam se sou feliz, normalmente respondo que vou sendo :)
A felicidade não é para mim um estado mas sim pequenos momentos que podem por vezes ser de uma simplicidade extraordinária.
De uma coisa tenho a certeza: ando cá para ser feliz! Não quer dizer que o consiga sempre mas pelo menos vou tentando :)

Sabe uma coisa engraçada? Sempre tive a Helena como uma pessoa que faz questão de andar cá para ser feliz. Nota-se na sua forma de estar, nas suas gargalhadas (deliciosas) que transparecem o gozo de poder rir...e a sua postura perante a vida.
(e este comentário não é de todo um elogio barato mas sim a sensação que sempre que a vi na televisão tive.)

Helena Sacadura Cabral disse...

Ka a sua impressão está completamente certa. Ando cá para ser feliz.
E mesmo nos momentos em que isso não foi possível, tentei sempre ver "o outro lado", para tirar dele o melhor partido.
Se ser feliz for um estado de alma, então não sou só felizarda. Sou mesmo feliz!

Helena Sacadura Cabral disse...

Pedro
Também gosto dessa felicidade marota...

Anónimo disse...

Estimada Helena, gostei destas suas palavras, deste seu apego alegre à vida, em ser feliz e gostar de o ser. Contagiam. Sou, por natureza, de algum modo parecido. A vida passa demasiado depressa, daí devermos desfruta-la o melhor que soubermos. E como muito bem diz, não se deve abdicar da felicidade. Mal de nós! Apesar das mágoas que por vezes a procuram travar. Mas sabe, ás vezes temo que os agradáveis momentos que felizmente a vida, em geral, me tem proporcionado, sejam interrompidos, por qualquer razão. É por isso que apreciei muito em particular estas suas palavras (uma espécie de hino à vida e à felicidade). Vou continuar a viver esta vida nesses parâmetros que aqui descreve e muito bem.
P.Rufino

Margarida Pereira disse...

Agora que é exemplo, o riso ainda sobe mais de tom.
E tem coro!
Xi-coração.