terça-feira, 19 de maio de 2009

A crise em directo na TV

Tenho a obrigação de ler jornais e revistas. E também de ver televisão. Para estar informada...
Fujo, confesso, da imprensa nacional. Nesta, apenas leio a "opinião" daqueles a quem respeito. Não são muitos.
Fujo, igualmente, dos programas televisivos pretensamente intelectuais - como "A quadratura do círculo" - que me deixa intoxicada, ou dos pretensamente humorísticos - como "O eixo do mal" - que, pelo atropelo de vozes, não permite apreciar o suposto finíssimo humor.
Logo, ficam-me alguns programas do 2º canal, com destaque para a Camara Clara, da Paula Moura Pinheiro, onde aprendo sempre alguma coisa.
Sobram as telenovelas. Olho de quando em vez as brasileiras, cujo enredo permite vizualização quinzenal para se ficar a compreender quem são os bons e os maus e prever o fim da história.
Qualquer ensaio de sair disto provoca-me fortíssimas dores de cabeça. Em pessoas menos sólidas do ponto de vista psicológico decerto que a consequência imediata será a depressão.
Pobres daqueles idosos que só tenham a TV por distração. Além das dificuldades económicas são obrigados a comer a crise - de ideias - em directo. É pedir demasiado aos portugueses!

H.S.C

2 comentários:

Anónimo disse...

Que excelente comentário! De facto, a “coisa” vai mal ao nível das Televisões, mas mesmo na imprensa escrita. Perdeu-se, ao nível das TVs, qualquer respeito pelo telespectador. Programas imbecis, noticiários de sensação e de zero formação e pouco útil informação. Mandam as audiências, sem sequer se procurar saber se é exactamente aquilo que as populações querem. Empanturram-se as gentes de novelas, de futebol (aqui a política entra “a fundo”, visto permitirem prazos de pagamento ao Fisco, por parte dos Clubes, que nenhum outro cidadão, ou empresa tem direito, autorizam-se infracções de estacionamento todos os dias em que há jogos, para os “adeptos” estacionarem onde antes e depois é em absoluto proibido, assiste-se ao Clube tal e tantos a contratar jogadores por quantias milionárias, sabendo-os em dívida para com o tal Fisco, “aposta-se” nesta distracção da populaça para assim melhor “esquecer” momentaneamente a Crise, etc) e outras parvoeiras. Há pouca seriedade hoje no que respeita à Televisão. E, entretanto, apareceram outras “figuras sociais” de pacotilha: a apresentadora de televisão, o jogador de futebol, a namorada deste, a “moranguito”, etc e por aí fora. E, juntamente, surgiram um sem número de “revistas sociais” que vão dando uma ideia, ao “atento público” de como vão os respectivos escândalos, casamentos, divórcios, azares da vida, etc dessas personagens, que adoram “mostrar-se”. Ainda quanto ás televisões, é igualmente extraordinário o tempo dedicado à publicidade. Conviria se calhar procurar saber quem, em seu perfeito juízo, ali fica ás meias-horas a ouvir e ver a tal publicidade. E, quanto à rádio, instalou-se um outro pequeno fenómeno: o tratamento por tu, que passou entretanto a vigorar na própria publicidade. Ah, quase “me olvidava”, as ditas TVS têm também promovido a comicidade barata, sobretudo recorrendo ao linguarejar de baixo nível. Devo dizer que nada disto me choca. Nem sou puritano, muito longe disso, nem “integrista”. É uma sensação diferente: não tenho paciência, nenhuma, para baixo nível cívico, falta de cultura, “de Maria, ou Mário, vai com as outras, ou outros (como é o caso do futebol e novelas)”, manipulações (aqui é o caso dos Telejornais e “boutades” de políticos de meia-tigela, que também os há, infelizmente engrossando, cada vez mais, as fileiras dos Partidos), “imbecilizações” e outros “ões”. Que é o que está a dar. E desde há muito a esta parte. Lamentável! Um belo desabafo Helena!
P.Rufino
PS: vive-se, actualmente, numa Sociedade de “vocês” e de Senhores Antónios e Senhoras Marias, já não há apelidos. Com tudo o que isso implica em ausências. De civismo, educação, cultura, etc.
Mas há algumas "ilhas", como aquelas que aqui HSC invoca. Câmara Clara é uma delas. E há outras, mas muito pouco e relegado para a RT2, ou horas tardias. E assim "cá vamos indo"!

Margarida Pereira disse...

As gerações mais afectadas pelo básico (in)formativo não reclamam. Em absoluto.
Há uma (de)formação de base que não permite perceber ou distinguir.
Aquilo já é muito bom. Aquilo é superlativo, face à escassez de conhecimentos e de exigência.
Alaram uma vida amarfanhados de múltiplas formas.
Agora, apesar das lamúrias, e descartando-se o facto de estarem idosos e doentes, nunca foram tão… afortunados.
Muitos cresceram famélicos, despojados, em ‘ilhas’ de cortinas ripadas, vasos de sardinheiras e cheiro a estrugido.
Viam televisão (quando viam) nas montras, ou pelas janelas dos vizinhos mais remediados.
Ter acesso a aparelhos coloridos, estéreo, com controlo remoto e quatro canais, é o céu.
Mal comparado.