sábado, 21 de fevereiro de 2009

Milk

É sábado. Acabo de ver o filme Milk. E de levar um verdadeiro murro no estômago perante uma história que conhecia vagamente, porque vivi aquela época e a luta das minorias sempre me interessou.
Confesso que nas primeiras cenas me senti vagamente incomodada. Pelo que via e pela minha própria reacção. Considero-me uma criatura com um razoável grau de abertura e com muito poucos preconceitos. Mas fui educada numa sociedade muito intolerante e, de vez em quando, vêm ao de cima uns resquícios dessa educação. O que me entristece bastante.
Foram esses tais vestígios que no princípio da fita foram despoletados. Felizmente que a qualidade da obra e a magnífica interpretação de Sean Pen rapidamente calaram a reticência inicial.
Trata-se de uma película a não perder. Porque se nos esclarece sobre a luta dos homosexuais, também nos intrui sobre nós próprios. E diz-nos muito sobre o caminho que eles e aqueles que o não são conseguiram percorrer.
Há uma década, comentários eventualmente jocosos não surpreenderiam. Hoje, o silêncio que pairava na sala era revelador do percurso feito. E a emoção que eu senti perante o sofrimento de tantos homens e mulheres deu-me bem a medida do que, afinal, eu também aprendi!
É uma película fundamental para ficar a saber alguma coisa sobre o que significa ser diferente!



H.S.C

2 comentários:

Renata Figueiredo disse...

Olá Helena!

Não vi o filme, mas vou ver. Em relação aos "pré-conceitos" possuímos alguns quando não nos dispomos a nos instruir, conhecer. O que não devemos é materializar o "pré-conceito" através da discriminação.

Nasci, vivi, estudei direito e gestão empresarial no Rio de Janeiro, há 1 ano fui convidada pelo meu companheiro para estar aqui em Portugal enquanto ele precisa solucionar algumas questões pessoais. Então, sei bem o que significa discriminação, o que não me afecta a ponto de me sentir uma pessoa discriminada, incomodada, complexada, etc. Compreendo nós seres humanos, sinto mesmo a necessidade de compreender cada vez mais a minha espécie para poder me melhorar e ajudar quando me é dado uma chance.

Ainda ontem, numa conversa com minha irmã pelo MSN, uma jovem de 26 anos, também observadora do mundo e com vontade participar da mudança do mesmo, falamos sobre a necessidade da nossa acção para proporcionar a felicidade do nosso próximo, quanto mais as pessoas se sentirem felizes, aceitas, compreendidas menos violência se instalará em nossa sociedade.

Sinto-me e sou igual ao meu próximo, inclusive a biologia prova que nossa “essência” é a mesma, sem importar a cor da pele ou o país que nascemos. Com certeza se eu fosse melhor que os outros não estaria num planeta onde seus habitantes causam situações constrangedoras e onde tenho facilidade e oportunidade para errar, mas também para corrigir.

Mais uma vez,

Grata.

Margarida Pereira disse...

Emocionante relato.
Quão infelizes nos tornamos ao forçar outros a serem-no também.
Que simples, justa, pacífica e amorosa poderia ser cada sociedade - como cada grupo, cada família - se escutássemos mais o coração!
Mal posso esperar para asssitir também...